segunda-feira, 6 de março de 2017

Suav'entoares dos ventos rápidos...

Não sei que canção ou melodia
Cantam os corações dos ventos neste dia, 
Só sei que tardia já suav’entoa 
Acolá acima daquela alta colina de pedra.  

Um pássaro passa muito ligeiro 
Com zéfiro raro de úmido e fresco cheiro, 
Absorto voa, se revira, atordoa. 
Revigora o monte que ressoa e se quebra?  

Acompanha o vento uma voz intercalada 
Da melodia incorrupta espalhada 
Que diz das folhas os segredos, devaneios 
Tantos aos meus ouvidos, os de receios. . .  

E para onde vai esta em voares de ave? 
Ouvi-la alguns poucos conseguem 
Pois seus corações facilmente se inflamam 
Por não amarem enquanto outros amam,  

Encontrem em si percepções, a chave, 
A canção suave qual não seguem 
Das com juras de amor p’ra sempre rente 
E súplicas do que esperam ser diferente. . .  

Luiz Rosa Jr.     

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Momento

Repousa em mim uma sensação singela,
Que por muito sim gela
Com suavidade tal branda,

E faz-se tal qual chama de uma ardência,
Não digo por demência
Que à medida que arranca

Suspiros que parecem meus queima
E ao mesmo congela o peito que teima
Sentir sensação tanta,

Que amor é esse que muito assusta?
Que com tremores tais não sei se custa
Viver ou ter esperança?

Querubins cantam canções que os confortam
Mas ao mesmo tempo choram em segredos soluçantes,

Ilusão pensar e sonhar, muitos poetas por tão
Enorme sentimento vieram a suicidarem-se rastejantes

E tudo por quem foi fiel a um cruel sentimento,
Será que em vida vale à pena amor-inspiração-invento?

Luiz Rosa Jr.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Rápidas imagens oníricas, jornada das folhas

Floresta oculta, templo das folhas e dos ventos, 
Os pequenos rios sussurram puros pensamentos, 
Na cidade estou eu a pensar em aprofundamentos.  

Poss’ouvir um som de longe a girar em círculos, 
Passou por mim com imagens e mágicos vínculos, 
Fez-me dormir, fez-me acordar aos sonhos místicos:  

Toca-me a face um vento tímido 
Numa branda carícia como se a afagar uma criança, 
Um ar úmido que me acorda os sentidos  

Passa ligeiro de forma à mansa 
Mesmo quando eu estou ou tento parecer acordado,  
Uma folha me é notável lá em seu estado  

Livre e aos voos pelos ares a fazer muitas curvas 
Mesmo a ter risco de breve chuva 
E logo vir ao chão desconsolável,  

Mas ainda assim teima a folha em alcançar o céu 
Enquanto o breve vento a sustenta 
E motiva o rápido voo que inventa. 

Luiz Rosa Jr.

Poema de uma folha, harpa de vento movida ao instante

Uma harpa que invento e versos a compor, 
Os anjos momento se movem, a chuva cai... 
Serenamente, e solta se vai... 

Rodopiando ao vento uma folha a mais,  
Como encantamento vou com ela onde for, 
Desprendeu-se esta por sua escolha no ar, 
E já posso vê-la tentar voar...

Luiz Rosa Jr.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Teu voo

No espasmo do tempo te vejo s'elevando leve 
Como se tudo e tanto não tivesse sido breve, 
As flores não são mais as mesmas, 
Mas as raízes mesmo que tu não possa vê-las  

Ainda estão aí, há um orvalho delas, é dolorido  
Nem mais tão translúcido e nem tão colorido, 
Porém, existente, muito sangrando 
Com a passagem do momento veloz s'evolando.  

E este teu leve voo de encantamento devolve-me  
À alquimia breve, magia de criança,  

Como harpa apenas sei que toca-me e volve-me, 
Movimentas a maré serena, mansa,  

E já não sei sentir dor, há algo puro que aos céus me leva, 
Céus dos de índigo profundo que nenhum mistério me nega.  

O vento quem sabe nos conduza no voo em que estamos, 
Para o norte de sorte e sem morte é o ir do qual desejamos.   

Luiz Rosa Jr.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O rio é o piano e o piano é o rio

Não param de tocar por sobre o rio
Movidos sons sobre as águas luminosas,
Um piano e um dos ventos assovio

Movente à beira da relva suspirosa.
Vejo-o na tarde que se vai, alguns feixes
De luzes das árvores e uns peixes

Borboleteiam ligeiros na sua superfície amena
Com pequenas ondas de sons a brisar serenas,
Momento me confundo e me pergunto apenas:

O rio é o piano? Ou o piano é este mesmo rio?
Uns acordes leves e vespertinos se indo, sorrio
Em um êxtase simples deitado à grama longa

Beirando o rio e a canção que vem nas ondas,
Ondas de aroma de água doce e vento passageiro,

Queria pensar em tantas coisas de que aceito
E não aceito, mas não sei se de questionar é hora

Ou se muito pensar é certo, só sei que agora
Só sou piano, sou rio, sou ondas de águas sonoras.

Não me pergunte sobre essa vida de aí afora,
Sou música da ponte qual com o rio quer ir embora.

Luiz Rosa Jr.


domingo, 5 de junho de 2016

Tempo e fonte depois de chuva

Escrevo asas para planares acordado o horizonte 
Enquanto tu voas parado e te aquietas, 
Dentro do quarto, respiração, janela aberta...   

Olhas assim e tão firme sem nem saber p’ra onde, 
Vês lá fora em tinta da vida um quadro, 
Mas indiferente não te importas em pintá-lo.   

E a nossa vida amigos não pode ser arte 
Se não formos certamente dela viventes artistas, 
Digo em qualquer momento, em qualquer parte   

Com ou mesmo sem encontradas pistas, 
Não importa se tão solitários ou acompanhados 
Se hora nós passamos por amados ou odiados.   

A música toca então veloz 
Compassada com passo que passa   
Ao vento, e tu ouves a voz 

Que se faz asas e pede que as abra.  
Uma eternidade é instante 

Contido numa pequena fonte   
E tua eternidade é um vôo, 

Água nela que secou, passou.  

Luiz Rosa Jr.

domingo, 13 de março de 2016

Itinerário dos ventos e dos mágicos ponteiros

Gosto de me arrepiar sozinho ao som da música, 
A que parece primeira e única 
De nossos ouvidos, sentidos enfeitiçados. 

Ah o som da música sobre os prédios e serrados. 
Um velho olha fixo pela janela, 
Vento, folha e chuva vêm adentrar por ela 

O convidando a ser criança e a dançar no quintal, 
E diziam as folhas do arvoredo em movimento e sinal: 
Mais uma vez senhor, só mais uma vez e sem medo, 

Não há mal e não há fim, este é o nosso segredo.  
Breve é a magia da passagem, os ventos bem sabem, 
Breve o movimento e estes círculos que nos cabem. 

Sabei dum encantamento que tem de envolver o mundo, 
O segredo dos anjos em voo profundo. 

Sombrios são estes dias e os tempos em que estamos, 
Porém, vivos nós não nos entregamos, 

Digo-te então: é preciso magia, música e versos de luz 
E sempre algo de bom nos bem conduz. 

Aquele velho ou aquela criança tão velozmente a girar,  
Está a girar e a girar, eu posso ver suspirar 

Numa loucura e cura quebradora de sua terrível agonia, 
Posso sentir a magia, no quintal a sinfonia, 

No vento posso ouví-la, são folhas, arvoredo, sintonia. 

Luiz Rosa Jr.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Dizer-te dos versos

Já morri para muitas coisas nos tempos narrados, 
Mas jamais para a poesia e ventos contemplados 
Com gosto suave de mar longe e folhas d'árvore ao lado.

Vivo e não vivo, estou e não estou, sou e não sou, 
Eu digo no plural aos tantos quais também ressoo, 
Se há uma multidão lá perdida dentro da própria multidão. 

Deveras muitas coisas nos arrancam ou dão, 
E tudo a depender da sorte que é de cada um,
Isso pode parecer algo do mais comum 

Como acreditar em amores dos impossíveis. 
No deserto sempre vive um oásis alguma vez, 
Assim é o poeta sedento e a sua poesia, 

Acha nela as propriedades mesmo que de breve fantasia, 
Pois a dor apenas se abranda à mágica anestesia. 

Valei-nos versos do dia! Valei-nos arte! És vida e tão vida 
Mesmo que se morrendo a uma dor das sem saída. 

Na mais terrível e vil escuridão há verso, música, canção, 
E uns que andam mortos já mortos não mais estão. 

Luiz Rosa Jr.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Café de um dia de chuva

O mistério por entre as nuvens de chuva, 
Passam rápidas em fuga  
Sem ser reféns de ninguém.   

Há um tempo, um céu e vento que retém, 

E eu vendo sinto um bem 
Frescor não sei de onde vem.  

Éolo dança na grama do campo, 

Movimenta a relva e altas árvores enquanto 
Eu sozinho me ponho a escrever, pensar, divagar...  

Não sei se tão veloz ou devagar. 

A chuva rítmica e tímida vejo tomar a cidade, 
E já destemida tem com a ventania cumplicidade,  

Enquanto chove o café saboreio, 

Não qu’esteja tão bom, mas inspiração veio, 
Qu’inunde meu peito pois preciso em versos vê-lo.   

E as nuvens continuam passando... 

Queria acompanhá-las mesmo pesadas no firmamento,  

E no tão logo momento chegando 

Desaguar em raios às nascentes do rio do pensamento.  

Luiz Rosa Jr. 


1.Éolo: na mitologia grega é a personificação divina dos ventos ou tradicionalmente conotado como a divindade que origina e regula os ventos, o deus dos ventos. 

Folhas do jardim secreto

Volto aquela velha harpa e mãos para escrever-te, 
Retorna e voa minh’alma por rever-te,  
Foram tantas as eras sem ti, sem sentido.  

Sem te sentir, era como se tudo eu tivesse perdido. 
Tu tão distante de mim, tinha-te ido 
Leve pássaro das constelações do oriente.  

Quanto tempo foi-se, agora contemplo um poente, 
Tu me levaste as asas rapidamente, 
Já não sei ao certo s’elas são renascentes.  

Dizer-te da melancolia e da passagem dos dias, 
Um elo perdido de noites quentes e frias 
Nos ecos de vozes por entre as árvores aos ventos.  

E nas noites fugazes e eternas indo e volvendo 
A relembrada magia, o sonho e o que for. 
Tu retornas a esta canção, és a dor e o doce sabor  

De quem ama e de um sentir de que nunca s’esquece,  
O jardim secreto eu sei que suavemente envelhece,   

O forro de folhas no caminho é cada vez mais intenso 
E em cada poema a criar canção eu ainda te penso.

Luiz Rosa Jr.

sábado, 5 de setembro de 2015

Voo leve do pensamento

Uma palavra basta,
Uma palavra casta, 
E então tudo já se alevanta, 
No pensar a mansa pomba  

E tantas numa tanta, 
Uma sombra tomba, 
Reflexo da cortina da janela 
E posso ver a transparência  

Tingindo o voo dela em um céu de costura já nela, 
E vi leve e sutil e singela aquela,  

No coração passagem uma queda, uma dolência, 
Somente um outro voar vence-a.   

Como qualquer passageiro feito um adolescente 
Deste presente recente  

Receio hoje por qualquer cadente ressentimento 
Que pese minha mente,  

Pois tão delirante ou pensante aqui neste recinto  
Eu me fujo velozmente,  

Diria em suspiros que só recentemente sinto   

As pombas livres e as leves do pensamento. 

Luiz Rosa Jr.
   

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Bruma de Alba

No inverno a natureza fica nua,
Em si nua, insinua
No cinza de alba a nuança enfeitiçante de bruma sua
Qual se aprofunda, aprofunda, aprofunda as origens
Decaindo perdidas, mas encontradas virgens,
Num estado sublime alável
A sua súbita sublimação inefável.

Põe-se após a chorar agora um ar subido, evapora?  
Cai sobre tudo de novo uma chuva, apavora?
E sinto frio, sinto frio agora.
Natureza, mostre-se sem demora.

Luiz Rosa Jr.

1.alável: neologismo ambíguo poético do texto, significa no poema "o que é alado ou dotado de asas e que também nos põe asas e desperta a imaginação ou o voo".

As margens do som

E o que dizer do que não se esqueceu?
Só quero ouvir, e ouvir o vento,
Que não pese essa poesia, esse invento,
E o meu coração, um violino vermelho, tão teu.

Mais um coração vadio, pobre, dolente,
Sem paradeiro tal folha fugaz
Desfalecente, tal qual sem nenhuma paz,
E como pulsa cadente no ar atroz e sorridente.

Vejo violetas roxas, e estas já velhas,
Mas que inda guardam em seu interior jovem cor,

E ora vejo que muito mais se espelha
Assim como teu orvalho de um inconstante dolor.

Tu estás nelas, tenho tua lembrança,
Nas cordas de meu violino, vermelho, um coração

De cordas pulsantes, e confuso, mas d’entonação,
Que se arranha e digo quase arranca

As tais cordas de seu interior, e o seu réles som,
E este som neste violino vil, terrível

É se somente teu, as fatais margens deste dom,
O mesmo dom que te fez acessível,

E uma vez já acabada se fez a mim sim possível.

Luiz Rosa Jr.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Em si nos ventos dos sonhos

Sino do sono que toca no ar,
Em si o ensino ao silêncio,
Sim tu ensinas ao tempo a ter um segundo para te ouvir entoar

E nosso orgulho ele vence-o,
Já com arpejos no coração
Acalentas com calma a nossa alma alando-a na palma da mão, 

Posso vê-la como o orvalho escorrendo
Pelos dedos despetalando palavras com som,
E também com sombra, mas a luminosidade passa vencendo

E como feixe de pombas contradança no ar, isso é muito bom,
Puro e raro de sentir. A noite tenta me envolver
Mas suas sombras se cansarão de insistir,

Pois as palavras têm luz, eu posso ver,
Iluminam as trevas do tempo que posso sentir,
Todos nós uma hora sentimos, e mente quem isso não admitir.

Somos humanos, uma hora perdemos até mesmo nosso sono,
Aí que se é preciso ouvir uma calmaria do tempo,
Ouvir lá fora ao silêncio um sino ao vento,

Somos folhas voando ao sonar de invento num vôo de fuga insano,
E para onde vamos neste sonho? Responde a si, para onde vamos?


Luiz Rosa Jr.
 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Amor em tempos e no campo de guerra

O quanto me arrependo por amar a quem não deveria,
Nem conseguir esquecer nem de noite e nem de dia
Alguém que me retribuir o possível jamais poderia.

Tu foste amor sim e de todos o mais completo e puro,
Te digo com verdade, quanto amor eu te tinha e juro.
Ainda assim foste considerado demasiado errado,

Não por mim, mas por ti mesmo e o mundo injusto,
O que faz todo homem sem coração e bruto
Escravo na masmorra dos tantos condenados.

Queria ver a esperança crescer livre nestes campos,
Que não houvesse dor nem o calado pranto
De quem não tem céu, nem chão e nem manto.

É este amor ridículo que move moinhos
E mesmo quando estamos muito sozinhos.
É então que me arrependo e muito não me arrependo

Por ainda te amar e te odiar em segredo,
Neste campo de batalha ainda tenho medo,
Mas no sonho e no poema estou lutando e vencendo. 


Luiz Rosa Jr.
 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Caravela Mágica

No poema imagine uma caravela a navegar
Nuvens, estrelas e um porto com sinos,
Qual será dos anjos em voo o destino
Enquanto uns vejo estrelas regar?

E vamos nós em voo e aos ecos deste mar,
O infinito mar estrelado deveras alado
Por sobre as nossas mentes a rumar
Sonhos dos distantes e calados,

Mas como adquirem forças nas asas do invento

E do imaginário inconstante e não preso a si somente?

Navegar ares e mares, libertar novo firmamento,
Na magia do instante do sonho por tão simplesmente,

Tão simples mente, navegue nesses céus que tens,
Navegue com seus pés descalços a dançar livre pelas nuvens

E vai nesses ecos do além mar de fábula e voe, voe...
E os sinos de sobre as nuvens de mais alto porto ecoe e ecoe...

Luiz Rosa Jr.

 

domingo, 24 de maio de 2015

Cheiro de chuva e árvores pela madrugada

Aquelas luminosas notas de piano posso ouvir sem dizer nada,
Junto sinto o cheiro fresco da chuva e das árvores pela madrugada.

Vê, há pois um movimento breve de vento tão leve lá fora agora

E uma saudade aqui dentro, percebo que coisas vão embora.
Aquela lembrança é caravela, folha navegando em voo aos ventos,
Uma hora com as garças saindo para o norte acima, outra hora

Abaixo com os peixes à água clara do lago dos pensamentos.
Sei que virás, talvez, e em lágrimas perdidas e ídas
De amena chuva durante o dia te terei como se por toda a vida,

E mesmo a vida não será suficiente, talvez não seja o tempo,
Talvez ainda o piano seja como morno órgão dentro
De uma grandiosa, eterna catedral ou do contido infinito templo,

Porém apesar do sombriar eis a luz nos sons que até ecoam,
Ouve! Ecoam em cada folha e em cada árvore do jardim.

Há uma esperança nesta sonoridade, há pássaros que voam,
E um dia já estaremos juntos, te peço, acredite em mim.


Luiz Rosa Jr.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Magia das folhas de Outono

Uma doçura sem par
Na leveza que vem de horizontes

De montes talvez distantes

Dos ventos a raspar,
As folhas sobre o chão já caídas
A erguerem-se, e distraídas

Ondularem rodopiantes a qualquer ambiente
De inspiração que me faz ciente,

E pensante como me vou as acompanhando
Feito perfeito louco e sonhando

Com o que nem se sonhou, suspirou, revelou,
O tempo qu’inda não se acertou

Vem-me de companhia sobre o dia que selou.


Luiz Rosa Jr.
 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Um gesto de volta

Foi desta vez e sim numa missa:
Um anjo precisou de mim e eu de fato
Percebi que também precisava do ato
Dele, de forma de todo amiga

Apontou-me a sua pequena mão
Da qual era a minha e os seus atentos
Olhos que também eram ah d’intentos
Meus, foi minha sustentação

E de forma tão ligeira e sondável
Estava ali, do meu lado pronto a ajudar
Diante da solidão a ser meu infanto par,
E me trazia sim incomparável

Pureza no seu leve e ligeiro acompanhar
Remetendo-me a mim mesmo,

No que perdi e que ficou por isso a esmo,
Mas em parte tornei a apanhar

E a resgatar a alva face que se morria
E talvez se perdesse, não mais se achasse,

Ah! Se não fosse esse anjo nesse dia,
Um anjo de Deus para que me encontrasse.


Luiz Rosa Jr.