domingo, 18 de fevereiro de 2018

Folhas, chuvas e versos

De modo veloz como os anos passam,
Parece que foi ontem que brincávamos naquela rua
E corríamos ligeiros ao frescor da brisa nua
E úmida vinda não sei de onde, a entrelaçassão

De nós tão livres e puros aos tais voos,
Hoje tímidos na lembrança pelos empoeirados ares,
Ouço notas dum piano rápido e docemente
Entoado na rua de breves corridos tempos ventos,

A chuva cai, e eu tomo um banho sozinho lá fora
E rio de mim, imagino que estamos outra vez juntos

Naquela dança a ciranda louca que não demora,
Que saudade! Deus! Que saudade! De nada, de muito,

E inda não faz tanto tempo, mas sinto que passa
E logo há de ser, as primaveras cessando, e as tardes,

Jovens tardes luminosas já ligeiras como jamais
Nós ligeiros pelas ruas, agora vazias, para nunca mais.

Luiz Rosa Jr.

1.Entrelaçassão: neologismo poético do texto, significa no poema "o envolver", "o apanhamento".

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Véspero Pensamento

Logo estaremos voltando, amor, a magia e sonho antigo 
No enfeitiçante voo das folhas rodopiantes do véspero outono, 
Tu hás de sonhar e rodar comigo ao infinito 
Tão além da copa das árvores e das estrelas sem sono. 

Deita outra vez nesta grama, observa as árvores, o lago, 
Sentes o vento nos pés? Imaginas ao menos que não há vago 
Nesta tarde crepusculante e caindo como a folha que vês 

 A passar e navegar com o vento para o norte outra vez, 
Tua alma está com esta folha, desprendida, profunda e liberta, 
Os segredos do horizonte dos anjos, luminosidade aberta 

Nos céus com feixes de luz por entre as nuvens puras, 
Logo as nuvens vão-se com a virada do dia, a virada do tempo, 
Mas não para chuva, apenas para a noite, a mística noite 

Tão sagrada e mágica como catedral de sombra e som. 
Ainda deitado na grama veja, sinta, é doce, suave, e é tão bom, 
O movimento dos galhos das árvores ao suavíssimo vento. 

Aponta às mãos e os dedos ao céu e aponta às estrelas 
No momento em que podes por entre algumas nuvens revê-las, 
Estás na grama em voo intenso, nefelibata do pensamento. 

Luiz Rosa Jr. 

1.Nefelibata: expressão simbolista que significa sonhador, quem anda nas nuvens ou é andarilho ou andante das nuvens.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Breves canções em harpa celta

Onde estão aquelas canções em harpa celta?
Nas florestas? Em alguma rua deserta?
Ainda em teu coração? Onde estão?

Nas folhas sem direção por inda tão incertas?
Ou nos vãos pensamentos dos poetas?
Nos suspiros que não restam então?

Nessa breve dança infantil de rodopios tantos que não cansa
Daquela magia antiga que te possuia?
Nessa calmaria dos campos que respira amor e irradia?

E se tu deitas e acordas comigo à grama fresca muito longa,
Podes bastante sentir tocar volvendo
Teu coração pulsante às cordas amenas que prolonga

Que tu a te mover nas folhas mentir nem fugir de ti saberias,
E se chovesse tu muito te entregarias
A te levar e te elevar às canções sem dor doutros dias.

Luiz Rosa Jr.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Sinestesia e os Sons do Violoncelo

Aves sobrevoam
Um oceano imenso.  .  .
Sobrevoam naves,

Ouçam uns sons do violoncelo
Ou são trovões repenso,
Na verdade chove e zelo,

Ouço só e faço
Do céu em gotas o grandioso,

Define-se um passo
O que me faz escrever suspiroso.  .  .

Um passo de chuva rápida
Tal qual o compasso do vento,

Ou a sensibilidade da tinta jazida,
Na folha o oceano, a chuva, o invento.  .  .

Luiz Rosa Jr.

sábado, 16 de setembro de 2017

Harpa d'Inspiração

Volto aquela harpa celta e mãos para escrever-te, 
Retorna e voa minh’alma por rever-te,  
Foram tantas as eras sem ti, sem sentido.  

Sem te sentir era como se tudo tivesse se perdido. 
E tu tão distante de mim, tinha-te ido 
Leve pássaro das constelações do oriente.  

Quanto tempo foi-se, agora contemplo um poente, 
Tu me levaste as asas e rapidamente, 
Já não sei ao certo s’elas são renascentes.  

Dizer-te da melancolia e da passagem dos dias, 
Um elo perdido de noites quentes e frias 
Nos ecos de vozes por entre as árvores aos ventos.  

E nas noites fugazes e eternas indo e volvendo 
A relembrada magia, o sonho e o que for. 
Tu retornas a esta canção, és a dor e o doce sabor  

De quem ama e de um sentir de que nunca s’esquece,  
O jardim secreto eu sei que suavemente envelhece,   

O forro de folhas no caminho é cada vez mais intenso 
E em cada poema a criar canção eu ainda te penso.

Luiz Rosa Jr.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Jornada das folhas

Floresta oculta, templo das folhas e dos ventos, 
Os pequenos rios sussurram puros pensamentos, 
Na cidade estou eu a pensar em aprofundamentos.  

Poss’ouvir um som de longe a girar em círculos, 
Passou por mim com imagens e mágicos vínculos, 
Fez-me dormir, fez-me acordar aos sonhos místicos:  

Toca-me a face um vento tímido 
Numa branda carícia como se a afagar uma criança, 
Um ar úmido que me acorda os sentidos  

Passa ligeiro de forma à mansa 
Mesmo quando eu estou ou tento parecer acordado,  
Uma folha me é notável lá em seu estado  

Livre e aos voos pelos ares a fazer muitas curvas 
Mesmo a ter risco de breve chuva 
E logo vir ao chão desconsolável,  

Mas ainda assim teima a folha em alcançar o céu 
Enquanto o breve vento a sustenta 
E motiva o rápido voo que inventa. 

Luiz Rosa Jr.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Dos poemas de amor raros

O amor tem essa coisa estranha
Que faz suspirar a alma e entranha,
De fazer tão perto quem não está

Assim como se estando à vizinhança e lá
Tão longe aos astros angélicos a forrar o céu.

Descalços estamos à grama longa e livre,
Estou a sentir pulsar o que talvez nunca tive,

Talvez quem está do meu lado nem sinta
Ou perceba o bater forte, meu peito, é minha

Talvez a estranha sensação e sã loucura
Que diante de dores profundas faz-se a cura.

Se tu soubesses cada abraço teu que desejo,
Cada dia ao teu lado que almejo,
Cada sonho e sorriso teu lindo que vejo,

Estou muito a sonhar contigo enquanto é dia
Mas já não sei se estarei à noite
Ao vir cruelmente chicotear-me o açoite

Da consciência da realidade anoitecendo o firmamento.

Porém, agora, dane-se tudo, quero ter em pensamento

Tão somente teu sorriso tão lindo, que faça-me sonhar,

Faça-me tão brevemente viver, ah que faça-me sonhar.

Luiz Rosa Jr.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Margem Inexistente

À margem do amor está em não se encontrar à margem,
Amar é meramente profundeza, tu sabes do mar
Que não se alcança e nem se ousa domar,
As águas são desconhecidas no itinerário da viagem,

Porém, excitantes e chamativas sereias cantam
E cantam loucura e liberdade,
E te digo marujo vá sabendo da brevidade
Que a vida proporciona e das sereias qu’encantam,

Talvez elas nos enganem, talvez nos levem a tesouros
Ou ilhas desconhecidas do atlântico ou pacífico,
Talvez tudo só seja apenas um mero mito,
E temos nada mais que temores como tantos outros.

A vida se encaminha mesmo na maré absurda
Em que a barca louca sem rota
Em meio a tempestade nem mesmo nota
Que é só perdida qu’encontrará o que decerto busca.

Luiz Rosa Jr.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Suav'entoares dos ventos rápidos...

Não sei que canção ou melodia
Cantam os corações dos ventos neste dia, 
Só sei que tardia já suav’entoa 
Acolá acima daquela alta colina de pedra.  

Um pássaro passa muito ligeiro 
Com zéfiro raro de úmido e fresco cheiro, 
Absorto voa, se revira, atordoa. 
Revigora o monte que ressoa e se quebra?  

Acompanha o vento uma voz intercalada 
Da melodia incorrupta espalhada 
Que diz das folhas os segredos, devaneios 
Tantos aos meus ouvidos, os de receios. . .  

E para onde vai esta em voares de ave? 
Ouvi-la alguns poucos conseguem 
Pois seus corações facilmente se inflamam 
Por não amarem enquanto outros amam,  

Encontrem em si percepções, a chave, 
A canção suave qual não seguem 
Das com juras de amor p’ra sempre rente 
E súplicas do que esperam ser diferente. . .  

Luiz Rosa Jr. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Momento

Repousa em mim uma sensação singela,
Que por muito sim gela
Com suavidade tal branda,

E faz-se tal qual chama de uma ardência,
Não digo por demência
Que à medida que arranca

Suspiros que parecem meus queima
E ao mesmo congela o peito que teima
Sentir sensação tanta,

Que amor é esse que muito assusta?
Que com tremores tais não sei se custa
Viver ou ter esperança?

Querubins cantam canções que os confortam
Mas ao mesmo tempo choram em segredos soluçantes,

Ilusão pensar e sonhar, muitos poetas por tão
Enorme sentimento vieram a suicidarem-se rastejantes

E tudo por quem foi fiel a um cruel sentimento,
Será que em vida vale à pena amor-inspiração-invento?

Luiz Rosa Jr.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Poema de uma folha, harpa de vento movida ao instante

Uma harpa que invento e versos a compor, 
Os anjos momento se movem, a chuva cai... 
Serenamente, e solta se vai... 

Rodopiando ao vento uma folha a mais,  
Como encantamento vou com ela onde for, 
Desprendeu-se esta por sua escolha no ar, 
E já posso vê-la tentar voar...

Luiz Rosa Jr.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Teu Voo

No espasmo do tempo te vejo s'elevando leve 
Como se tudo e tanto não tivesse sido breve, 
As flores não são mais as mesmas, 
Mas as raízes mesmo que tu não possa vê-las  

Ainda estão aí, há um orvalho delas, é dolorido  
Nem mais tão translúcido e nem tão colorido, 
Porém, existente, muito sangrando 
Com a passagem do momento veloz s'evolando.  

E este teu leve voo de encantamento devolve-me  
À alquimia breve, magia de criança,  

Como harpa apenas sei que toca-me e volve-me, 
Movimentas a maré serena, mansa,  

E já não sei sentir dor, há algo puro que aos céus me leva, 
Céus dos de índigo profundo que nenhum mistério me nega.  

O vento quem sabe nos conduza no voo em que estamos, 
Para o norte de sorte e sem morte é o ir do qual desejamos.   

Luiz Rosa Jr.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O rio é o piano e o piano é o rio

Não param de tocar por sobre o rio
Movidos sons sobre as águas luminosas,
Um piano e um dos ventos assovio

Movente à beira da relva suspirosa.
Vejo-o na tarde que se vai, alguns feixes
De luzes das árvores e uns peixes

Borboleteiam ligeiros na sua superfície amena
Com pequenas ondas de sons a brisar serenas,
Momento me confundo e me pergunto apenas:

O rio é o piano? Ou o piano é este mesmo rio?
Uns acordes leves e vespertinos se indo, sorrio
Em um êxtase simples deitado à grama longa

Beirando o rio e a canção que vem nas ondas,
Ondas de aroma de água doce e vento passageiro,

Queria pensar em tantas coisas de que aceito
E não aceito, mas não sei se de questionar é hora

Ou se muito pensar é certo, só sei que agora
Só sou piano, sou rio, sou ondas de águas sonoras.

Não me pergunte sobre essa vida de aí afora,
Sou música da ponte qual com o rio quer ir embora.

Luiz Rosa Jr.


domingo, 5 de junho de 2016

Tempo e fonte depois de chuva

Escrevo asas para planares acordado o horizonte 
Enquanto tu voas parado e te aquietas, 
Dentro do quarto, respiração, janela aberta...   

Olhas assim e tão firme sem nem saber p’ra onde, 
Vês lá fora em tinta da vida um quadro, 
Mas indiferente não te importas em pintá-lo.   

E a nossa vida amigos não pode ser arte 
Se não formos certamente dela viventes artistas, 
Digo em qualquer momento, em qualquer parte   

Com ou mesmo sem encontradas pistas, 
Não importa se tão solitários ou acompanhados 
Se hora nós passamos por amados ou odiados.   

A música toca então veloz 
Compassada com passo que passa   
Ao vento, e tu ouves a voz 

Que se faz asas e pede que as abra.  
Uma eternidade é instante 

Contido numa pequena fonte   
E tua eternidade é um vôo, 

Água nela que secou, passou.  

Luiz Rosa Jr.

domingo, 13 de março de 2016

Itinerário dos ventos e dos mágicos ponteiros

Gosto de me arrepiar sozinho ao som da música, 
A que parece primeira e única 
De nossos ouvidos, sentidos enfeitiçados. 

Ah o som da música sobre os prédios e serrados. 
Um velho olha fixo pela janela, 
Vento, folha e chuva vêm adentrar por ela 

O convidando a ser criança e a dançar no quintal, 
E diziam as folhas do arvoredo em movimento e sinal: 
Mais uma vez senhor, só mais uma vez e sem medo, 

Não há mal e não há fim, este é o nosso segredo.  
Breve é a magia da passagem, os ventos bem sabem, 
Breve o movimento e estes círculos que nos cabem. 

Sabei dum encantamento que tem de envolver o mundo, 
O segredo dos anjos em voo profundo. 

Sombrios são estes dias e os tempos em que estamos, 
Porém, vivos nós não nos entregamos, 

Digo-te então: é preciso magia, música e versos de luz 
E sempre algo de bom nos bem conduz. 

Aquele velho ou aquela criança tão velozmente a girar,  
Está a girar e a girar, eu posso ver suspirar 

Numa loucura e cura quebradora de sua terrível agonia, 
Posso sentir a magia, no quintal a sinfonia, 

No vento posso ouví-la, são folhas, arvoredo, sintonia. 

Luiz Rosa Jr.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Dizer-te dos Versos

Já morri para muitas coisas nos tempos narrados, 
Mas jamais para a poesia e ventos contemplados 
Com gosto suave de mar longe e folhas d'árvore ao lado.

Vivo e não vivo, estou e não estou, sou e não sou, 
Eu digo no plural aos tantos quais também ressoo, 
Se há uma multidão lá perdida dentro da própria multidão. 

Deveras muitas coisas nos arrancam ou dão, 
E tudo a depender da sorte que é de cada um,
Isso pode parecer algo do mais comum 

Como acreditar em amores dos impossíveis. 
No deserto sempre vive um oásis alguma vez, 
Assim é o poeta sedento e a sua poesia, 

Acha nela as propriedades mesmo que de breve fantasia, 
Pois a dor apenas se abranda à mágica anestesia. 

Valei-nos versos do dia! Valei-nos arte! És vida e tão vida 
Mesmo que se morrendo a uma dor das sem saída. 

Na mais terrível e vil escuridão há verso, música, canção, 
E uns que andam mortos já mortos não mais estão. 

Luiz Rosa Jr.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Café de um dia de chuva

O mistério por entre as nuvens de chuva, 
Passam rápidas em fuga  
Sem ser reféns de ninguém.   

Há um tempo, um céu e vento que retém, 

E eu vendo sinto um bem 
Frescor não sei de onde vem.  

Éolo dança na grama do campo, 

Movimenta a relva e altas árvores enquanto 
Eu sozinho me ponho a escrever, pensar, divagar...  

Não sei se tão veloz ou devagar. 

A chuva rítmica e tímida vejo tomar a cidade, 
E já destemida tem com a ventania cumplicidade,  

Enquanto chove o café saboreio, 

Não qu’esteja tão bom, mas inspiração veio, 
Qu’inunde meu peito pois preciso em versos vê-lo.   

E as nuvens continuam passando... 

Queria acompanhá-las mesmo pesadas no firmamento,  

E no tão logo momento chegando 

Desaguar em raios às nascentes do rio do pensamento.  

Luiz Rosa Jr. 


1.Éolo: na mitologia grega é a personificação divina dos ventos ou tradicionalmente conotado como a divindade que origina e regula os ventos, o deus dos ventos. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Voo leve do pensamento

Uma palavra basta,
Uma palavra casta, 
E então tudo já se alevanta, 
No pensar a mansa pomba  

E tantas numa tanta, 
Uma sombra tomba, 
Reflexo da cortina da janela 
E posso ver a transparência  

Tingindo o voo dela em um céu de costura já nela, 
E vi leve e sutil e singela aquela,  

No coração passagem uma queda, uma dolência, 
Somente um outro voar vence-a.   

Como qualquer passageiro feito um adolescente 
Deste presente recente  

Receio hoje por qualquer cadente ressentimento 
Que pese minha mente,  

Pois tão delirante ou pensante aqui neste recinto  
Eu me fujo velozmente,  

Diria em suspiros que só recentemente sinto   

As pombas livres e as leves do pensamento. 

Luiz Rosa Jr.
   

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Bruma de Alba

No inverno a natureza fica nua,
Em si nua, insinua
No cinza de alba a nuança enfeitiçante de bruma sua
Qual se aprofunda, aprofunda, aprofunda as origens
Decaindo perdidas, mas encontradas virgens,
Num estado sublime alável
A sua súbita sublimação inefável.

Põe-se após a chorar agora um ar subido, evapora?  
Cai sobre tudo de novo uma chuva, apavora?
E sinto frio, sinto frio agora.
Natureza, mostre-se sem demora.

Luiz Rosa Jr.

1.alável: neologismo ambíguo poético do texto, significa no poema "o que é alado ou dotado de asas e que também nos põe asas e desperta a imaginação ou o voo".

As margens do som

E o que dizer do que não se esqueceu?
Só quero ouvir, e ouvir o vento,
Que não pese essa poesia, esse invento,
E o meu coração, um violino vermelho, tão teu.

Mais um coração vadio, pobre, dolente,
Sem paradeiro tal folha fugaz
Desfalecente, tal qual sem nenhuma paz,
E como pulsa cadente no ar atroz e sorridente.

Vejo violetas roxas, e estas já velhas,
Mas que inda guardam em seu interior jovem cor,

E ora vejo que muito mais se espelha
Assim como teu orvalho de um inconstante dolor.

Tu estás nelas, tenho tua lembrança,
Nas cordas de meu violino, vermelho, um coração

De cordas pulsantes, e confuso, mas d’entonação,
Que se arranha e digo quase arranca

As tais cordas de seu interior, e o seu réles som,
E este som neste violino vil, terrível

É se somente teu, as fatais margens deste dom,
O mesmo dom que te fez acessível,

E uma vez já acabada se fez a mim sim possível.

Luiz Rosa Jr.