sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O sino, o menino e seu giro de ponteiro

É preciso entender o barulho da chuva que cai,
E é preciso entender mesmo a estar sozinho,
É preciso entender este sino sem sono de um som que s’esvai
Liberar no vento amarguras pelo caminho.

O sino não para de tocar, e os ponteiros giram
Feito um menino a rodar sorrindo e delirante,
Serei eu? Será meu filho que ainda não tive? Alguém de antes?
Será a vida? Ventos rápidos que suspiram?

E isso imagino num sonho acordado
Navegando lembranças de agonias, alegrias,
Derrotas, vitórias, presente e passado,
Numa confusão de fraqueza e força qual mostrei ter pelos dias.

Mostrei-me em momento muito forte
Enquanto em silêncio desmoronava e gritava,
Foi necessário manter erguido o porte
Que desmoronado em pedaços catei do chão que se inundava.

O sino segue a tocar, a vida em si no sino tem o tempo de um lírio...
Contida e incontida, ensino então seus ecos de passagem pelo caminho.

O sino segue a tocar e seus ecos dão voltas como as águas do rio
Que avançam com sua cheia, tem a sua natural seca, mas ao seu ninho

Não deixam de voltar, soa agora o sino à beira do rio, o rio é um menino.

Luiz Rosa Jr.