domingo, 12 de junho de 2011

Poesia à Harpa n’Antemanhã

Ah... Quero tocar minhas cordas,
A harpa duma asa, a que me acorda,
Fecho os olhos logo p’ra tanto,
Não suporto o fogo do pranto.

As lágrimas qu’escorrem adentro
Em mim em segredo vão corroendo
E corroendo tudo sem piedade
E sem nenhuma maldade.

Eu sinto e se vai uma breve nota,
E uma e já outra que pouco importa,
Sou mais um que veste vão luto
Na vida por tantos sustos

Que esta não deixa de provocar
Enquanto o coração nos vem cortar,
Então logo melhor tocar minha
E só minha harpa sozinha

E comigo diante sua companhia,
Fazer duma dolência uma canção
De maior e rara beleza do dia,
A vil incomparável açoitação

Da corda em toques no coração. . .
Ah... Há vibrar harpa das entranhas

Que emana, conhece, estranha
Numa liberação a s’evadir tamanha.

Luiz Rosa Jr.


1.emana: de emanar no infinitivo, o mesmo que nascer, proceder, vir de algo.

2.evadir: escorrer, se ir embora.