quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Chover

Vozes confusas, ventos sem direção,
E os ecos a se evolar, evolar. . .
Questionamentos sobre tudo vãos ou não,
Não param redentos de entoar. . .

Sinto no ar uma pureza antiga
Quase perdida num eco num corredor
Distante querendo aproximar-se a pôr
Em mim de novo impulsos de partida.

Onde vou tão humano?
A voz reflete em mim dolente
Como um órgão soberano

E imponente que tem cordas em mim,
Como todo humano perco-me derrepente
Nos jardins da vida com tantos frutos

E ervas daninhas, mesmo assim
Soa a voz, soa a volver-me o choro
Num resgate muito curto

Do tempo em que m’importava
O cheiro da terra a umedecer e o coro
Das arvores chiando não querer envelhecer

E perder seu verdor. . .

Luiz Rosa Jr.