domingo, 18 de janeiro de 2026

O rio é o piano e o piano é o rio

Não param de tocar por sobre o rio 
Movidos sons sobre as águas luminosas, 
Um piano e um dos ventos assovio 

Movente à beira da relva suspirosa. 
Vejo-o na tarde que se vai, alguns feixes 
De luzes das árvores e uns peixes

Borboleteiam ligeiros na sua superfície amena 
Com pequenas ondas de sons a brisar serenas, 
Momento me confundo e me pergunto apenas: 

O rio é o piano? Ou o piano é este mesmo rio? 
Uns acordes leves e vespertinos se indo, sorrio 
Em um êxtase simples deitado à grama longa 

Beirando o rio e a canção que vem nas ondas, 
Ondas de aroma de água doce e vento passageiro, 

Queria pensar em tantas coisas de que aceito 
E não aceito, mas não sei se de questionar é hora 

Ou se muito pensar é certo, só sei que agora 
Só sou piano, sou rio, sou ondas de águas sonoras. 

Não me pergunte sobre essa vida de aí afora, 
Sou música da ponte qual com o rio quer ir embora. 

Luiz Rosa Jr.