quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Dizer-te dos versos

Já morri para muitas coisas nos tempos narrados, 
Mas jamais para a poesia e ventos contemplados 
Com gosto suave de mar longe e folhas d'árvore ao lado.

Vivo e não vivo, estou e não estou, sou e não sou, 
Eu digo no plural aos tantos quais também ressoo, 
Se há uma multidão lá perdida dentro da própria multidão. 

Deveras muitas coisas nos arrancam ou dão, 
E tudo a depender da sorte que é de cada um,
Isso pode parecer algo do mais comum 

Como acreditar em amores dos impossíveis. 
No deserto sempre vive um oásis alguma vez, 
Assim é o poeta sedento e a sua poesia, 

Acha nela as propriedades mesmo que de breve fantasia, 
Pois a dor apenas se abranda à mágica anestesia. 

Valei-nos versos do dia! Valei-nos arte! És vida e tão vida 
Mesmo que se morrendo a uma dor das sem saída. 

Na mais terrível e vil escuridão há verso, música, canção, 
E uns que andam mortos já mortos não mais estão. 

Luiz Rosa Jr.