domingo, 15 de fevereiro de 2015

Nada mais que poema

Nesta noite os sonhos já voam longe
Planando um mar de estrelas não sei de onde,
Como consigo ter esperanças? Como?

Aliás, nesta imensidão nada somos,
Nem importamos, poeira aos anos, do outono
Folhas, nada mais, nem somos donos

Da vida que temos, que nos cabe,
Sujeitos ao imprevisível antes que acabe
Os dias que temos contados,

Amores sinfônicos os lembrados
Que estão a sonar nos ventos passados
Dos que voltam em lágrimas

De chuvas, ares brisas lástimas
Misturadas ao cheiro da terra molhada.
Os olhos ardendo na memória, coisa recordada

De um tempo que se foi, se vai,

Não sei eu o que é pior, torna-se um ai,
Deixa-nos sem paz este parar e o muito pensar

Lá no que se já perdeu ou se perde ao passar
Das estações sem retorno de canções diferentes.

Estas tais confissões matam-me e a toda vez...

E você as lê e nem se importa enquanto ausente

Se faz sentimentos que me são tão invisíveis

E não dão certeza alguma, tudo é tão e somente

Nada mais que poema, e nada mais que poema.


Luiz Rosa Jr.