quarta-feira, 20 de julho de 2016

Teu voo

No espasmo do tempo te vejo s'elevando leve 
Como se tudo e tanto não tivesse sido breve, 
As flores não são mais as mesmas, 
Mas as raízes mesmo que tu não possa vê-las  

Ainda estão aí, há um orvalho delas, é dolorido  
Nem mais tão translúcido e nem tão colorido, 
Porém, existente, muito sangrando 
Com a passagem do momento veloz s'evolando.  

E este teu leve voo de encantamento devolve-me  
À alquimia breve, magia de criança,  

Como harpa apenas sei que toca-me e volve-me, 
Movimentas a maré serena, mansa,  

E já não sei sentir dor, há algo puro que aos céus me leva, 
Céus dos de índigo profundo que nenhum mistério me nega.  

O vento quem sabe nos conduza no voo em que estamos, 
Para o norte de sorte e sem morte é o ir do qual desejamos.   

Luiz Rosa Jr.