domingo, 5 de junho de 2016

Tempo e fonte depois de chuva

Escrevo asas para planares acordado o horizonte 
Enquanto tu voas parado e te aquietas, 
Dentro do quarto, respiração, janela aberta...   

Olhas assim e tão firme sem nem saber p’ra onde, 
Vês lá fora em tinta da vida um quadro, 
Mas indiferente não te importas em pintá-lo.   

E a nossa vida amigos não pode ser arte 
Se não formos certamente dela viventes artistas, 
Digo em qualquer momento, em qualquer parte   

Com ou mesmo sem encontradas pistas, 
Não importa se tão solitários ou acompanhados 
Se hora nós passamos por amados ou odiados.   

A música toca então veloz 
Compassada com passo que passa   
Ao vento, e tu ouves a voz 

Que se faz asas e pede que as abra.  
Uma eternidade é instante 

Contido numa pequena fonte   
E tua eternidade é um vôo, 

Água nela que secou, passou.  

Luiz Rosa Jr.