domingo, 13 de março de 2016

Itinerário dos ventos e dos mágicos ponteiros

Gosto de me arrepiar sozinho ao som da música, 
A que parece primeira e única 
De nossos ouvidos, sentidos enfeitiçados. 

Ah o som da música sobre os prédios e serrados. 
Um velho olha fixo pela janela, 
Vento, folha e chuva vêm adentrar por ela 

O convidando a ser criança e a dançar no quintal, 
E diziam as folhas do arvoredo em movimento e sinal: 
Mais uma vez senhor, só mais uma vez e sem medo, 

Não há mal e não há fim, este é o nosso segredo.  
Breve é a magia da passagem, os ventos bem sabem, 
Breve o movimento e estes círculos que nos cabem. 

Sabei dum encantamento que tem de envolver o mundo, 
O segredo dos anjos em voo profundo. 

Sombrios são estes dias e os tempos em que estamos, 
Porém, vivos nós não nos entregamos, 

Digo-te então: é preciso magia, música e versos de luz 
E sempre algo de bom nos bem conduz. 

Aquele velho ou aquela criança tão velozmente a girar,  
Está a girar e a girar, eu posso ver suspirar 

Numa loucura e cura quebradora de sua terrível agonia, 
Posso sentir a magia, no quintal a sinfonia, 

No vento posso ouví-la, são folhas, arvoredo, sintonia. 

Luiz Rosa Jr.