terça-feira, 18 de agosto de 2015

As margens do som

E o que dizer do que não se esqueceu?
Só quero ouvir, e ouvir o vento,
Que não pese essa poesia, esse invento,
E o meu coração, um violino vermelho, tão teu.

Mais um coração vadio, pobre, dolente,
Sem paradeiro tal folha fugaz
Desfalecente, tal qual sem nenhuma paz,
E como pulsa cadente no ar atroz e sorridente.

Vejo violetas roxas, e estas já velhas,
Mas que inda guardam em seu interior jovem cor,

E ora vejo que muito mais se espelha
Assim como teu orvalho de um inconstante dolor.

Tu estás nelas, tenho tua lembrança,
Nas cordas de meu violino, vermelho, um coração

De cordas pulsantes, e confuso, mas d’entonação,
Que se arranha e digo quase arranca

As tais cordas de seu interior, e o seu réles som,
E este som neste violino vil, terrível

É se somente teu, as fatais margens deste dom,
O mesmo dom que te fez acessível,

E uma vez já acabada se fez a mim sim possível.

Luiz Rosa Jr.