quarta-feira, 13 de junho de 2012

Estro do Momento

Dá-me aquela canção mais doce
Tingida de suavidade e vento,
Que viva toque-me hoje
Abrandando livremente neste meu pensamento

Enquanto espectros nele dançam
E giram, e suspiram, e voam,
Tão leves no ar avançam
Ao se soar por lá o som das estrelas qu’ecoam.

E cadentes sonoram a mover-se serenamente
Pelo firmamento aceso pela doçura
Do seu cancionar mágico a envolver movente
E em voo circundante que em êxtase muito jura

Jamais querer vir a descer como se fosse isso
Assim tão possível, todos ora temos
Que de fato vir ao chão uma hora, pois te digo:
Tudo é passageiro, e este voo que louco penso

É tão delírio quanto esta poesia de vão sentido
Ou um suave vinho inebriante do instante corrido,

Mas apesar do pesar de tudo vale o breve voo,
Mesmo se sem sentido ou um pleno motivo ecoo,

Confesso, e confesso, vale o mero breve verso,
Devaneio, um erro, d’estro, d’inspiração tão perto

Já do fim, pois é natural dele ser tão derradeiro
Já que se finda e se vai embora feito veleiro

Assim feito no vento p’ra não voltar tão cedo.

Luiz Rosa Jr.