terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Meu amigo, como os anos passam

Meu amigo, como os anos passam,
Parece que foi ontem que brincávamos naquela rua
E corríamos ligeiros ao frescor da brisa nua
E úmida vinda não sei de onde, a entrelaçassão

De nós livres e puros aos tais voos,
Hoje tímidos na lembrança pelos empoeirados ares,
Ouço notas dum piano rápido e docemente
Entoado na rua de breves corridos tempos ventos,

A chuva cai, e eu tomo um banho sozinho lá fora
E rio de mim, imagino que estamos outra vez juntos

Naquela dança a ciranda louca que não demora,
Que saudade! Deus! Que saudade! De nada, de muito,

E inda não faz tanto tempo, mas sinto que passa
E logo há de ser, as primaveras cessando, e as tardes,

Jovens tardes luminosas já ligeiras como jamais
Nós ligeiros pelas ruas, agora vazias, para nunca mais.

Luiz Rosa Jr.

1. entrelaçassão: neologismo poético do texto, significa no poema "o envolver", "o apanhamento".